sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Brasil poupa titulares e sofre para vencer a lanterna China na Copa do Mundo de vôlei

Depois de uma vitória arrasadora contra a Rússia na quinta-feira, a seleção brasileira masculina teve dificuldades para vencer a China na Copa do Mundo de vôlei no Japão por 3 sets a 2 (23-25, 25-10, 25-18, 19-25, 15-8) na madrugada desta sexta-feira. Com o resultado, a equipe verde e amarela soma apenas dois pontos, enquanto a China, que venceu seus dois primeiros sets no torneio, garantiu seu primeiro ponto no Japão, já que vitória em jogo de cinco sets garante dois pontos ao time vencedor e um ao perdedor pelo regulamente da competição.

Para o jogo desta sexta-feira, o técnico Bernardinho resolveu dar folga aos seus principais jogadores, apenas Murilo e Escadinha foram mantidos na equipe e o Brasil foi para quadra com a seguinte formação: Bruninho, Theo, Rodrigão, Gustavo, João Paulo Bravo, Murilo e o líbero Escadinha.


A partida começou com as duas equipes trocando bolas e se revezando na liderança do placar, porém depois da primeira parada técnica, a China aproveitou a desatenção dos brasileiros e abriu três pontos de vantagem (12 a 9), obrigando Bernardinho parar o jogo.


Porém, o tempo técnico pedido pelo treinador brasileiro foi insuficiente para acordar a equipe brasileira que permitiu que os chineses aumentassem a vantagem e os rivais asiáticos chegaram a segunda parada técnica com cinco pontos de frente no marcador (16 a 11). No final do set, o Brasil ainda tentou buscar a virada, diminuiu a vantagem do adversário para dois pontos (22 a 20), mas já era tarde e a China venceu o set por 25 a 23.


Depois da derrota na primeira parcial, o Brasil voltou ligado para o 2º set e abriu três pontos de vantagem logo no início. A seleção brasileira manteve o ritmo forte chegou ao primeiro tempo técnico vencendo por 8 a 2 e controlou o jogo até fechar o set em 25 a 10, em um ponto de saque do levantador Marlon, que entrou durante a inversão 5-1.


O equilíbrio marcou o início do 3º set, mas o Brasil conseguiu abrir uma boa vantagem após o primeiro tempo técnico: 14 a 9. A China esboçou uma reação, mas o time de Bernardinho soube controlar e fechou o set novamente com um ace de Marlon em 25 a 18.


O 4º set também começou muito equilibrado, com nenhuma das equipes conseguindo abrir no placar, mas o Brasil voltou a sofrer um “apagão” e China abriu 16 a 12. A equipe brasileira não conseguiu igualar o marcador e ainda viu a China aumentar a vantagem para 22 a 17. Os chineses venceram por 25 a 19, garantiram o tie-break e o primeiro ponto da equipe na competição.


Para o set de desempate, Bernardinho mudou a equipe e colocou Lucão em quadra no lugar de Gustavo, enquanto que Wallace substitui Theo. As mudanças deram resultados e o time entrou ligado para evitar uma possível decepcionante derrota. A seleção brasileira abriu logo 4 a 1 e ainda aumentou a vantagem para 7 a 2, encaminhando a vitória. Sem dificuldades, o Brasil fechou o set por 15 a 8, em um bloqueio de Lucão, e o jogo em 3 sets a 2.


Apesar da vitória, o Brasil perdeu a liderança da competição. O time comandado por Bernardinho soma 12 pontos, a mesma pontuação que Rússia, que leva vantagens nos critérios de desempate. As duas seleções podem ser ultrapassadas pela Polônia, que ainda joga na rodada desta sexta-feira da Copa do Mundo.


A partida contra a China foi a última do Brasil em Kumamoto. Agora, para a disputa da terceira fase do torneio, a seleção brasileira segue para Hamamatsu, onde enfrentará Argentina, Cuba e Sérvia.


Fonte: UOL

Mudança de ano

Na Festa de Cristo Rei, quando Jesus é proclamado Rei do universo, normalmente no mês de novembro, terminamos o Ano Litúrgico. O domingo seguinte é o primeiro do Advento, de preparação para o Natal. Portanto, iniciando novo tempo, um novo ano, que começa com a preparação e o nascimento de Jesus Cristo.

Todo final de ano é oportunidade de revisão, de analisar o passado com olhar de esperança, porque temos em vista um futuro a ser construído. Olhar principalmente as atitudes de negligência praticadas quando deveríamos agir com determinação na construção do bem e de um mundo mais digno e fraterno para todos, sem distinção de classe ou raça.

É hora de colocar a nossa confiança toda em Deus.

A história de cada pessoa vai tomando rumos que têm de ser trabalhados em diversas dimensões: social, religiosa, política, econômica, psicológica, entre outras. É um caminho de libertação, que só tem plena realização numa confiança plena em Cristo, que é Rei e Salvador do universo.

Jesus Cristo é o Pastor que cuida do rebanho, busca a ovelha que estiver perdida e a apascenta com carinho e justiça. O Senhor não tolera exploração de uma ovelha sobre a outra e as trata com respeito. Assim dever fazer todo aquele que está à frente de uma comunidade, de um povo, com o objetivo de prestar serviço.

No tratamento com as pessoas, duas palavras são determinantes e ajudam no relacionamento. Uma é a vigilância, a preocupação constante e o cuidado feito com responsabilidade por quem de direito. Outra é a insensatez, as práticas de irresponsabilidade, que desabonam a autenticidade de quem age.

Devemos entender que a justiça se confunde com a prática de amor ao próximo. Ela cria espaço de convivência e de relacionamento fraterno entre as pessoas, possibilitando um mundo melhor e um novo ano de vitórias. O reino de Jesus Cristo é de amor, de paz, de justiça e fraternidade. Aí não pode haver lugar para o egoísmo. Que o novo ano litúrgico seja de acolhida fraterna.


Dom Paulo Mendes Peixoto
Bispo de São José do Rio Preto.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Crise na vocação sacerdotal não é culpa do celibato


O celibato, um carisma e um mistério a ser decifrado e decodificado, salienta o Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, Dom Pedro Brito Guimarães.

Para o Arcebispo de Palmas (TO), ser celibatário é uma graça que quando acolhida e vivida se multiplica. “Todo dom exige uma resposta, que eu chamaria de contra-dom. O melhor da graça é a ação de graça", destaca.

E em resposta às críticas quanto dizem que o celibato mais atrapalharia do que ajudaria a vida da Igreja, Dom Pedro reforça que existem outros fatores que contribuem para a crise das vocações sacerdotais e que atribuir tudo ao celibato é “desconhecer os outros mecanismos que fazem a cabeça das famílias e da juventude e movem a sociedade como um todo”.

Dom Pedro foi um dos palestrantes do Simpósio Nacional O dom do celibato na vida e na missão da Igreja*, concluido nesta quarta-feira, 23, na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Confira a entrevista exclusiva de Dom Pedro ao noticias.cancaonova.com.

noticias.cancaonova.com - Os ministérios ordenados e a vida consagrada possuem como característica marcante a vivência do dom do celibato. Que relevância esse assume no mundo contemporâneo?

Dom Pedro Brito Guimarães - O celibato é realmente uma característica marcante da vida e da missão do ministro ordenado e das pessoas de vida consagrada. O celibato é realmente um dom, um carisma e um mistério a ser decifrado e decodificado. Dom significa dizer que ele não me pertence, que me é dado, doado e por mim recebido gratuitamente. Dom nos remete a Deus, doador de todos os dons e bens da salvação.

Somente Deus tem um dom como este, tão absoluto e radical, para doar a quem Ele escolhe, para estar com Ele, e o enviar em missão. Ser celibatário é uma graça e uma vocação. Por isto só vive bem o celibato quem é agraciado com este dom, carisma, mistério e ministério.

No entanto, para o sacerdote ministerial é também uma norma canônica, enquanto que para as pessoas de vida consagrada é um voto, um dos três conselhos evangélicos. Isto faz a diferença do dom do celibato para o ministro ordenado e a pessoa de vida consagrada.

noticias.cancaonova.com - Há uma ideia propagada de que o celibato mais atrapalharia do que ajudaria a vida da Igreja, como no que diz respeito ao número de vocações e à vida afetivo-sexual dos consagrados. Nessa perspectiva, por que o celibato é defendido como um dom? Como ressaltar esse aspecto?

Dom Pedro - Não sei quem é o autor desta idéia. Sei apenas que ela é muito difusa e serve de pretexto e justificativa. Esta é uma tese que por si só não se sustenta. E onde o celibato não é obrigatório, o que justifica a carência de ministério ordenado? Existem outros fatores que contribuem em muito para a crise das vocações sacerdotais.

Certamente o celibato é um desses fatores. Mas não pode ser o bode expiatório. Não o único nem o maior e nem ainda o mais importante. A crise porque passam as vocações é uma crise de sentido da vida, de falta de doação, de espírito de serviço e vivência do evangelho. Atribuir tudo ao celibato é desconhecer os outros mecanismos que fazem a cabeça das famílias e da juventude e movem a sociedade como um todo. 

Confesso que gostaria de saber o porquê, assim eu iria atrás da solução. Em poucas palavras, a crise vocacional para o celibato é crise sócio-cultural e pró-existencial, trazida pela mudança de época. Acho que a chave está aqui.


noticias.cancaonova.com - No que diz respeito ao celibato, ele é um dom mas, ao mesmo tempo, algo que se aprende. Como os consagrados podem viver um processo de formação permanente neste sentido? De que forma a Igreja no Brasil trabalha ou pensa em trabalhar com essa temática?

Dom Pedro - Todo dom exige uma resposta, que eu chamaria de contra-dom. O melhor da graça é a ação de graça. O melhor do dom é a capacidade de pô-lo em prática e de vê-lo multiplicado. Cairia bem aqui uma reflexão sobre as parábolas dos talentos (Mt 25,14-30) e das moedas de prata (Lc 19,11-28). Tudo é aprendizagem. Somos todos aprendizes, na vida e na história, na Igreja e na sociedade, inclusive do celibato.

Ninguém nasce sabendo: se aprende a falar, falando, caminhar, caminhando, nadar, nadando... Com o celibato não é diferente. Nascemos celibatários, mas temos que a prender a ser e a viver o celibato. Aprendemos a ser celibatário sendo, vivendo, se formando, se informando, se doando, com e como Jesus e na sua escola.

O testemunho de pessoas sadias, santas, maduras, pró-existentes, equilibradas, realizadas, ajuda muito nesta escola vivencial. Mas requer também dedicação, curtição, investimento, empenho, estudo, formação da mente, do coração e da alma. 
 
Fonte: cancaonova.com

A superação de nossos problemas

Diante dos inesperados acontecimentos que surgem em nossas relações, aprendemos que, somente a partir deles, vamos crescer e amadurecer dentro de nossos relacionamentos.

É bom saber que crise alguma dura para sempre, tampouco é inédita. E para o nosso conforto, de alguma forma, sempre haverá perto de nós alguém que já tenha vivido uma história tão delicada quanto a nossa e, que tendo enfrentado situações semelhantes, apesar de toda dificuldade, naquele momento conseguiu encontrar soluções alternativas, fazendo dessa experiência uma lição de vida.

Assim, para aqueles que estão envoltos nos ventos das adversidades, fica a certeza de que também será possível vencê-las tomando como estímulo a história de superação de outras pessoas que passaram por provações. Isso não significa que os procedimentos que alguém tenha tomado para resolver um impasse seja exatamente o que precisaremos fazer.

As pessoas são diferentes, trazem hábitos e comportamentos próprios, dessa forma, aquelas atitudes que foram assumidas por outras pessoas poderão nos servir apenas como pistas para as alternativas que podemos optar diante do nosso problema. Contudo, conhecer outras histórias de superação nos enche da certeza de que também seremos capazes de vencer nossos obstáculos e dilemas que, por ora, enfrentamos nos desafios da nossa convivência.

Para essa retomada da esperança diante das adversidades, basta recobrar outros momentos de nossa história, quando, naquela ocasião, determinado problema nos parecia também não ter solução. Se as crises financeiras que atingiram alguns países os fizeram fortes após uma nova atitude e investidas para sair dos problemas; o mesmo acontece em nossas vidas, quando nos colocamos dispostos a viver o resgate dos laços dos nossos relacionamentos.

Lembremo-nos de alguns impasses que foram superados há 2 ou 3 anos… Quem sabe não encontremos outros que tenham sido recentemente superados. Para todos eles a solução comum para o problema foi a descoberta de que a resposta estava simplesmente no desejo de recomeçar.

Todas essas fases foram vencidas e, hoje, essas histórias fazem parte de mais um capítulo que vai compor o nosso filme autobiográfico das “causas superadas”. Talvez, no futuro, poucas pessoas venham a se interessar em assistir o nosso “filme”, mas as lembranças dos acontecimentos, os quais um dia foram superados, não permitirão que o desânimo nos faça desistir do propósito de viver um “longa-metragem” com quem escolhemos contracenar nesta vida.

Um abraço!
Dado Moura

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Aneel aprova sistema de cobrança que pode baratear conta de luz

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou um novo sistema de cobrança de tarifa nesta terça-feira (22). A medida deve entrar em vigor dentro de dois anos, será opcional e depende do desenvolvimento de "medidores eletrônicos de energia". O novo sistema de cobrança estabelece preços de energia específicos de acordo com o horário.
O consumidor residencial, que hoje paga uma tarifa única independentemente do período do dia, poderá optar pelo plano que prevê energia mais barata nos horários de menor demanda. Pelo novo sistema, cada distribuidora de energia terá que definir um intervalo de três horas, entre as 17h e 22h, em que o consumo de energia elétrica será mais caro. Neste horário de pico, a energia custará cinco vezes mais do que no horário de baixo consumo (madrugada) e três vezes mais do que no horário intermediário (restante do dia).
"A nova modalidade torna-se vantajosa para consumidores com flexibilidade para alterar seus hábitos de consumo durante os horários de maior carregamento do sistema elétrico, apresentando redução em suas faturas", argumentou o diretor Edvaldo Santana, relator da matéria, em seu voto.

O diretor garante, porém, que a conta de luz não ficará mais cara para os consumidores que não têm flexibilidade de uso da energia elétrica. "Ressalta-se que não haverá majoração de custos para aqueles que a tarifa branca não é vantajosa, haja vista que continuarão na modalidade convencional", garantiu Santana.
Conforme a nova estrutura tarifária do setor de distribuição aprovada pela Aneel, o horário de pico terá três horas de duração. A faixa intermediária durará duas horas - uma antes e outra após o horário de pico. Os horários de maior e menor demanda serão fixados pelas distribuidoras, mas terão de ser submetidos a audiência pública e aprovados pela Aneel.
Opcional
A nova modalidade tarifária terá caráter opcional, exceto para a cobrança de iluminação pública e para o mercado de baixa renda, com vigência a partir de janeiro de 2014. Em 2013, serão feitas as simulações dos valores das tarifas e os resultados serão divulgados pela Aneel, a fim de que o consumidor saiba se será vantajoso ou não para ele aderir ao novo sistema.

A alteração da forma de cobrança também dependerá da implantação dos medidores eletrônicos de energia, os chamados "medidores inteligentes", que ainda estão em fase de desenvolvimento no país.
A Aneel também vai criar "bandeiras tarifárias" nas cores verde, amarela e vermelha, para alertar toda a sociedade sobre os custos de geração de energia ao longo do tempo. Quando a Aneel anunciar a "bandeira verde", isso indicará um cenário de custos baixos para gerar a energia que chega ao consumidor.

A "bandeira amarela" representará um sinal de atenção, pois alertará que os custos de geração estão aumentando. Já a "bandeira vermelha" indicará que uma situação mais grave, na qual, para suprir a demanda, estão sendo acionadas uma grande quantidade de termelétricas para gerar energia, que é uma fonte mais cara do que as usinas hidrelétricas, por exemplo.
Com a implementação das bandeiras tarifárias, o consumidor saberá se a energia que ele está recebendo em sua casa está mais cara ou mais barata em função da abundância ou falta de chuvas, que afetam diretamente o nível dos reservatórios e, consequentemente, o preço da tarifa. Hoje, o impacto da falta de chuvas e da necessidade do acionamento de térmicas, por exemplo, só é sentido pelo consumidor na época do reajuste da tarifa.

FONTE-GLOBO.COM

Governo estuda distribuir lucro do FGTS entre os trabalhadores

O governo estuda distribuir anualmente parte dos lucros do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) entre os trabalhadores para aumentar a remuneração do fundo, que, como no ano passado, ficará abaixo da inflação em 2011, informa reportagem de Lorenna Rodrigues publicada na Folha desta quarta-feira.

A íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL (empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).


Com o aval do Conselho Curador do FGTS, a Caixa Econômica Federal concluiu um estudo que prevê a distribuição anual de até metade do resultado do fundo entre todas as contas com saldo em 31 de dezembro.


Estima-se que isso poderia até dobrar a atual remuneração, que é de 3% (juros) mais a variação da TR no ano. A mudança, porém, precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional.


Se a regra já estivesse em vigor neste ano, até metade dos R$ 5,4 bilhões do lucro do FGTS do ano passado seria dividida entre os mais de 200 milhões de contas abertas no momento --das quais 90 milhões receberam depósitos nos últimos 12 meses.


Segundo a Caixa, o Ministério do Trabalho está analisando o estudo e avalia enviar um projeto de lei para o Legislativo com a proposta. De acordo com o ministério, porém, não há decisão sobre o assunto na pasta ainda.



Fonte: Folha.com

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Contrariando a crença popular, especialistas dizem que sexo não é o pilar das relações

No início, as relações são mais quentes. Entretanto, é normal que, depois da fase da paixão, o casal estabeleça um ritmo e divida sua atenção com outras atividades, além do sexo.
"Voltados para outros interesses, alguns têm a impressão de que os estímulos sexuais diminuem", diz o terapeuta sexual Oswaldo Martins Rodrigues Jr., diretor do Instituto Paulista de Sexualidade (Inpasex). O desejo pode diminuir, pois o relacionamento é tomado pelo conforto de que a pessoa estará ali, ao lado, quando a vontade de transar surgir.

De acordo com a terapeuta sexual Maria Luiza Cruvinel, de São Paulo, uma das crises previsíveis em qualquer relação que se torne estável é o "luto da paixão". "Há um conflito entre diminuição do desejo sexual e o aumento da afeição, proximidade, companheirismo e ternura", diz. O arrefecimento da paixão, na verdade, fortalece o vínculo afetivo.

A estabilidade permite a satisfação de outras necessidades, fora o sexo. "O sentimento de pertencer, o companheirismo e a segurança de ter alguém podem superar a necessidade sexual. Isso permite que o casal mantenha-se junto, indefinidamente", explica Oswaldo Rodrigues, cuja opinião é a de que o prazer sexual não é suficiente para manter um casal unido. "Muitas pessoas que consideram ter uma vida sexual incrível tendem a se separar quando o cotidiano, a segurança e a confiança não existem ou não são buscados pelo casal."

Para alguns especialistas, raros são os casais que não experimentam temporadas de sexo morno ou de abstinência. E um dos mitos mais destrutivos é o de que casais saudáveis emocionalmente têm uma vida sexual consistente. "Não é verdade que bons relacionamentos sejam sinônimo de sexo. Proximidade e desejo erótico não são a mesma coisa, ainda que interativas. A relação amorosa sexual com a mesma pessoa por um tempo prolongado pode levar à falta de estimulo. Alguns casais ficam tão próximos que a química entre eles é neutralizada", explica Maria Luiza Cruvinel, que ressalta que, nem por isso, a relação se esvai.

Outras demandas
O sexo perde importância quando homens e mulheres passam a priorizar outras preocupações ou demandas. O nascimento do primeiro filho costuma ser uma prova de fogo, que leva à diminuição da valorização e do tempo disponível para transar. Mas não se transforma em uma relação de irmãos. Os casais contam com outros fatores que os mantêm juntos, como planos de vida e a manutenção da família. "Tais aspectos passam a ser mais importantes do que o sexo, muitas vezes", diz Oswaldo Rodrigues.

Seguindo a mesma linha de raciocínio de Maria Luiza Cruvinel, Cristina Romualdo, coordenadora do Instituto Kaplan de tratamento terapêutico, em São Paulo, diz que é essencial considerar as diferentes fases do relacionamento conjugal. "Muitas vezes, o investimento em outros projetos do casal -filhos, bens materiais, carreira, viagens- tiram a energia da vida sexual, mas mantém a qualidade do relacionamento em alta, com muito prazer", diz. "Assim que conquista seus objetivos, o casal volta a investir no sexo, de forma diferente, mas satisfatória."
Ainda segundo Cristina, um erro comum é achar possível retomar o sexo vivido no início da paixão. "Os casais precisam, juntos, desenvolver outras formas de interação sexual, aprender a inovar", diz. Além disso, devem saber como lidar com o excesso de compromissos, profissionais e sociais, as infindáveis cobranças, o estresse e a ansiedade -característicos da vida atual e grandes vilões do divertimento, lazer e prazer.

Se a falta de sexo te faz infeliz
Cada casal encontra um jeito próprio de se relacionar, e não há nada de errado em sublimar uma vida sexual desestimulante se acharem o bom convívio e a cumplicidade suficientes. No entanto, se a ausência de sexo é reflexo do desinteresse pelo outro ou a nova rotina sexual não faz o casal (um dos dois ou os dois) feliz, há um problema.

Há especialistas que defendem que o sexo ruim pode, sim, degringolar a mais saudável das relações amorosas, principalmente quando é resultado de uma vida a dois frustrante. "O beijo é um bom termômetro. Quando o casal deixa de dar um bom beijo, a relação já era", diz a terapeuta sexual Carla Cecarello, de São Paulo. Outros sinais: abandonar as carícias e carinhos ao longo do dia e se a intimidade, quando há, é somente para o sexo. Aí, a relação vai mal.

Algumas pessoas nem percebem que o relacionamento está estagnado por causa do sexo, na opinião de Carla. São casais que vivem bem, não brigam, mas na cama agem sempre do mesmo jeito. "Ficam acomodados". É bom lembrar que o sexo envolve muito mais do que o ato. Uma vida sexual feliz inclui beijo na boca, vontade de despertar o desejo um no outro e troca de afetos fora da cama.

Há homens e mulheres que só percebem a crise diante de um comentário de alguém ou com indícios de uma traição. Segundo Maria Luiza Cruvinel, erotismo em casa exige envolvimento e atenção. "Queixar-se do tédio sexual é fácil e convencional. Alimentar o erotismo no lar é um ato de desafio declarado. Casais eróticos compartilham uma habilidade especial: são capazes de se adaptar a novos desafios, são versáteis e criativos. Esses casais fazem o sexo acontecer."

Fonte: UOL